Enganar a quem amamos…

Amor com sabor a dor!

Será que amar é sinônimo de carácter? O que leva alguém a dizer que ama e a ter um comportamento de caráter duvidoso, 

Vamos

Como estudiosa em comportamento humano, emoções e mente acabo por ser uma pessoa extremamente atenta aos movimentos que me rodeiam. E existe um tema em especial que me tem acompanhado à uns tempos, que é sobre o amor nem sempre significar lealdade, caráter e transparência. 

Mas existe na minha cabeça uma pergunta que não quer calar: O QUE LEVA A ALGUÉM ESTAR NUMA RELAÇÃO COM ALGUÉM, SE NÃO É PARA LHE ENTREGAR O SEU MELHOR? Muitas vezes é precisamente o oposto, mostrar e oferecer de forma gratuita e deliberada o seu pior enquanto pessoa e no caso enquanto companheiro/a. 

VOU PARTILHAR A HISTÓRIA DE UMA PACIENTE (com nomes fictícios) 

A Luísa tinha uma relação que desde sempre foi muito conturbada. Mas vou resumir e avançar para a parte que quero hoje trazer como reflexão para vocês. 

A Luisa sempre foi uma mulher tranquila, reservada e era a que tinha sempre uma palavra de conforto e esperança com o outro. Certa altura ele conhece um homem que lhe mostrou que afinal ela foi preparada para viver este amor. O amor que ela nunca contou a ninguém mas que tinha força dentro do peito dela, um amor com vontade, intensidade, amizade, um amor protetor e provedor cheio de dança, magia e brilho. Com o tempo as coisas foram ganhando outra cor, tudo começou a ficar mais escuro, denso e triste. Luisa começa a 

O que o Ayurveda sabe ...

sobre o corpo humano que a medicina moderna ainda ignora?

O Ayurveda sabe que você não é uma máquina isolada; você é um sistema complexo onde a digestão (Agni) é a base de tudo. A medicina moderna é maravilhosa para tratar traumas e emergências, mas muitas vezes ela falha nas doenças crónicas porque trata o sintoma e ignora a causa. Eu uso muito a analogia do “chute na parede”: se você chuta a parede todo dia e o dedo fica roxo, não adianta o médico passar um analgésico se você não parar de chutar a parede. O Ayurveda foca em parar de chutar a parede. Além disso, o Ayurveda entende que a saúde não é só a ausência de doença, mas um estado de felicidade e plenitude. Se a sua alimentação te deixa infeliz, ela não é saudável.

Existe mesmo uma alimentação “saudável” universal ou isso é um mito perigoso?

É um mito perigoso. O que é remédio para um pode ser veneno para outro. A gente tenta generalizar dizendo “coma uma mão cheia de comida”, mas se você é um atleta olímpico com uma fome tremenda e eu sou um escritor sedentário, a mesma quantidade vai ser pouco para você e muito para mim. A alimentação ayurvédica é aquela alinhada com quem você é, onde você vive, a estação do ano e a sua capacidade digestiva (Agni) naquele momento. Seguir tabelas rígidas de “pode e não pode” sem se observar é uma armadilha.

Que erros diários estamos a cometer sem perceber e que o Ayurveda identifica de imediato?

O maior erro é comer sem fome. Se não tem fome, não tem “fogo” na lareira para digerir a comida. Outro erro clássico é o “chute na parede” alimentar: comer coisas que sabemos que nos fazem mal, mas justificamos como uma recompensa emocional (“eu mereço porque tive um dia difícil”). Também vejo muita gente a estragar o sono levando o telemóvel para a cama, expondo-se à luz azul que bloqueia a melatonina e impede o descanso profundo. E, claro, a falta de atenção plena: comemos distraídos, vivemos distraídos, e isso gera Ama (indigestão e toxinas).

O que acontece ao corpo quando vivemos constantemente fora do nosso ritmo natural?

O corpo cobra a conta, e essa conta chega com juros. Nós temos um ritmo circadiano natural; fomos desenhados para acordar com o sol e recolher quando escurece. Quando você vive em “vigília noturna”, ficando acordado até tarde, você aumenta a predisposição para doenças cardiovasculares, cancro e problemas metabólicos. Se você come tarde da noite, quando o corpo já devia estar a descansar, você cria toxinas (Ama) porque a digestão não acontece direito. Basicamente, viver fora do ritmo é plantar a semente da doença crónica que vai nascer daqui a 10 ou 20 anos.

Porque é que seguir tendências de bem-estar pode estar a afastar-nos da verdadeira saúde?

Porque essas tendências muitas vezes nos tiram a autonomia e a capacidade de auto-observação. Você começa a comer de 3 em 3 horas porque alguém disse que é bom, mesmo sem ter fome, e ignora o seu corpo a dizer “pare”. Ou toma suplementos isolados, como vitamina C ou curcumina, achando que é melhor que comer a fruta ou a especiaria inteira, quando a natureza funciona por sinergia. Seguir cegamente “o que dizem” infantiliza a sua relação com a saúde. Saúde é liberdade, não é seguir regras que não fazem sentido para a sua realidade.

Qual é o primeiro sinal de desequilíbrio que quase toda a gente ignora?

A má digestão e a falta de energia ao acordar. Se você precisa de café para “ser alguém” de manhã, isso não é normal, é sinal de que o sono não foi reparador. Se você come e sente peso, gases, ou se o seu intestino não funciona como um relógio, isso é o corpo a acender a luz amarela. A gente normalizou o sofrimento: achamos normal ter azia, normal dormir mal, normal estar ansioso. Para o Ayurveda, se não há felicidade e bem-estar pleno, já existe um grau de doença.

Se uma pessoa só pudesse mudar um hábito hoje, qual teria maior impacto na sua saúde segundo o Ayurveda?

Parar de comer sem fome. A fome é o sinal de que o seu Agni (fogo digestivo) está pronto para processar o alimento. Se você come sem fome, você cria toxinas que são a raiz da maioria das doenças. E, se eu pudesse dar um segundo conselho, seria: cuide do seu sono como se fosse uma viagem sagrada. Prepare-se para dormir, desligue as telas, crie um “templo do sono”. Sem sono e digestão adequados, não existe saúde.

O Ayurveda é preventiva por natureza. Na tua opinião porque é que só ouvimos o corpo quando ele “grita”?

Porque estamos desconectados do momento presente. Estamos sempre no passado ou no futuro, distraídos pelo telemóvel, pelas notificações, pelo barulho mental. O corpo sussurra o tempo todo, mas a gente só para quando ele grita de dor porque perdemos a capacidade de “silêncio” e auto-observação. Além disso, somos péssimos a entender causa e efeito a longo prazo. Achamos que a doença é um azar, uma surpresa (como um “Kinder Ovo”), quando na verdade estivemos a regar essa planta todos os dias com os nossos maus hábitos.

O que significa, afinal, estar verdadeiramente saudável na visão ayurvédica?

Saúde é liberdade. É quando o corpo não é um obstáculo, mas um veículo potente para você realizar o seu Dharma (propósito). É ter os Doshas em equilíbrio, a digestão (Agni) forte, os tecidos bem nutridos e as excreções a funcionar bem, mas não só isso. Os textos clássicos dizem que a saúde (Swasthya) exige que a alma (Atma), os sentidos (Indriya) e a mente (Manas) estejam num estado de felicidade e contentamento (Prasanna). Se você tem os exames de sangue perfeitos mas está triste ou ansioso, para o Ayurveda, você não está verdadeiramente saudável.